Em paz com a própria sexualidade

Sexóloga e terapeuta floral desvenda mitos e tabus que impedem o ser humano de sentir prazer.

Assertiva, alto astral, inteligente e sábia. A sexóloga e terapeuta floral Lucy Godoy tem 83 anos e emana magnetismo. Nesta entrevista, ela fala sobre sexualidade e relação sexual e os principais aspectos que permeiam esses dois assuntos que levam homens e mulheres a terem problemas nessa área da vida. Entre eles, por que as preliminares são superimportantes para as mulheres sentirem prazer e como ter uma sexualidade saudável está diretamente ligada a forma como os pais tratam a própria sexualidade. E desconstrói mitos como o que diz que idosos não transam e se transam são safados e que o tamanho do pênis define a masculinidade do homem. Com essas e muitas outras informações, Lucy retira as grandes algemas que impedem o ser humano de sentir prazer.

 

Por Keila Bis

 

O que é sexualidade?

A sexualidade está dentro de um universo relacional onde condições anatômicas, fisiológicas, psicológicas que caracterizam cada sexo estão em constante comunicação. A sexualidade é uma força inerente, cada um de nós tem dentro de si essa “chama” que nos leva a buscar o prazer com o outro.

Quando ela começa a fazer parte do ser humano?

Desde a gestação, quando pai e mãe conversam com o bebê, alisando a barriga que cresce a cada mês. Essa demonstração de carinho começa também a criar no bebê a sensação de aceitação.

E quando isso não ocorre? A sexualidade desse bebê e futuro adulto pode ficar ‘comprometida’?

Depois que ele nascer, se for bem tratado e a sexualidade dos pais for bem vivida, não há nenhum problema. Mas, o ideal é que ele seja tratado com carinho desde a barriga da mãe. A forma como os pais se tratam – carinhosamente ou agressivamente – é que vai moldar esse ser no futuro, nos seus relacionamentos amorosos. Imaginemos uma criança criada dentro de um clima sexual saudável, com certeza ela será um adulto para o qual a sexualidade não apresenta medos, tabus e impedimentos. Vemos aí a importância do relacionamento amoroso do casal na criação dos seus filhos. Uma pergunta importante é: como os pais estão ntendendo e vivenciando sua própria sexualidade? Os pais estão preparados para educar sexualmente seus filhos.

Estão?

A forma como os pais vivenciam sua sexualidade assim será com seus filhos na posteridade. Se eles desenvolverem um relacionamento amoroso saudável e livre no sentido de não esconder seus sentimentos na frente dos filhos, de se abraçarem, se tocarem, se beijarem normalmente, sem medo ou constrangimento, sim.

E há um limite para essa demonstração de afeto na frente das crianças e adolescentes?

Sim, tudo dentro de uma normalidade saudável. Por exemplo: a mãe chega do trabalho e é recebida pelo pai com um abraço e um beijo, frente à TV o casal fica de mãos dadas, …

Desde cedo as crianças tocam o seu corpo e isso, muitas vezes, causa grande desconforto nos pais. O que eles precisam saber?  

A criança não se masturba, ela se toca, ela descobre o corpo, isso é importantíssimo. Quando uma criança se toca, não se deve dizer: “Não faça isso, é feio ou sujo”. Simplesmente a convide para fazer uma atividade prazerosa para ela sem falar na situação presenciada.

O que o homem precisa saber com relação ao tamanho do pênis?

A nossa cultura machista acredita que o homem tem que ter um pênis grande para satisfazer a mulher, mas isso não é verdade porque somente o primeiro terço inicial da vagina da mulher é que registra o prazer. Os outros dois terços são para o restante da penetração. Mas a sensação de prazer é só nesse começo da vagina. Logo, ao contrário do que pensam os homens, o tamanho do pênis não é documento e nem instrumento de prazer. Para a mulher sentir prazer na relação sexual, ela precisa ser estimulada pelo parceiro. Esse ponto é fundamental.

Por que?

Para a mulher ter uma penetração prazerosa é preciso que a vagina esteja bem lubrificada e para isso acontecer tem que descer bastante sangue para o baixo ventre. Esse processo na mulher é mais demorado do que o processo do homem para ter uma ereção, que exige menos sangue circulando e menos tempo. É por isso que as preliminares são tão importantes para a mulher se excitar. Se a penetração acontece antes desse tempo, que varia de mulher para mulher, ela pode não ter um grau elevado de excitação e aí a penetração não ser tão prazerosa, ao contrário, pode ser até desconfortável.

O que faz parte das preliminares?

O carinho, o abraço, a conversa, o drink, a intimidade desenvolvida entre o casal, falar sobre os pontos mais excitáveis de cada um, onde cada um gosta de ser tocado, onde dá mais prazer… Isso precisa ser conversado sem constrangimentos ou tabus. Mas os tabus sexuais que nos foram passados pelos nossos pais e educadores ficam presentes na nossa cama.

Quais são os tabus mais comuns na nossa sociedade atual?

Um dos maiores tabus é você crescer ouvindo: sexo é pecado, é feio, é sujo. Não é verdade. O sexo é obra divina. É preciso quebrar essa corrente e aprender uma nova forma de ver a relação sexual como uma obra divina, sem pecados, sem receios, sem medo, com muito prazer e alegria.

Nos dias atuais muitos jovens têm a permissão dos pais para dormirem juntos, ora na casa da menina ora na casa do menino. Isso é certo ou errado?

Cada família deve saber como agir nessa decisão. O mais importante é a forma saudável como os pais vivenciam sua sexualidade e a transmite aos adolescentes. Outro ponto importante: educar para o uso do preservativo. Isso tem que vir de casa. Pais e mães têm que ensinar. A escola reforça. Eu acredito que esse está sendo o grande problema de gravidez não planejada e da difusão das doenças sexualmente transmissíveis (DST), a pior delas é a aids.

Na idade madura, a partir dos 60 anos, a libido ainda se mantém viva?

Nessa idade, tanto os homens como as mulheres, mantêm viva a sua libido. A partir dos 70 anos, mais ou menos, as pessoas, pela cultura vigente, acreditam que velho não transa e se transa, é safado. Não é verdade! A sexualidade se mantém viva e os avanços da medicina – o viagra masculino e o feminino – trouxe de volta a possiblidade de relações prazerosas. Mas, gostaria de alertar aos leitores que o número de idosos portadores de HIV se igualou ao dos jovens. Por que isso? Porque o idoso, levado não sei por qual pensamento, acredita que se transar sem preservativo não vai pegar aids de ninguém, ou pela idade ou por não sei o que. E esse homem se vangloria de transar com moças mais jovens fora de casa sem proteção e ao chegar em casa vai transar com a sua esposa e passa para ela o HIV porque ele já é um portador.

 


 

  Lucy Godoy é formada em Educação Física pela Universidade de São Paulo (USP), é também pedagoga, terapeuta floral das essências do Dr. Bach, sexóloga e mandalista (terapia que aplica em escolas, no seu consultório e em empresas). Faz palestras sobre sexualidade, seja sobre crianças, adolescentes, adultos ou idosos. Tem dois consultórios em São Paulo onde atende seus pacientes unindo todo esse vasto conhecimento. Lucy é autora do livro Terceira Idade… Que idade é essa? Buscando qualidade na vida (editora Wak).

Contato: godoylucy@hotmail.com

 

 

 

Posted in Entrevista.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *