Tristeza tem fim

Conte com as Práticas Integrativas e Complementares (PICS), recentemente ampliadas pelo SUS, para resgatar o equilíbrio e sair da depressão

 

 

Por Raphaela de Campos Mello.

A depressão assusta. Ainda mais quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) informa que ela se transformou na maior causa de incapacidade no mundo. O jornalista norte-americano Andrew Solomon não tem dúvidas disso. Por muitos anos, ele assistiu à vida se esvaziar de sentido. Nessa época, estava convicto de que suas lentes não tinham se embaçado de uma hora pra outra. A realidade é que era cinza chumbo! Sua busca pessoal pelo entendimento desse dolorido fenômeno resultou no livro O Demônio do Meio-Dia – Uma Anatomia da Depressão (Companhia das Letras), referência para quem deseja compreender esse quadro mais a fundo. “O oposto de depressão não é felicidade, e sim vitalidade, o sentido vital de propósito”, ele define.

Apesar dos altos e baixos do caminho, Solomon se mantém otimista. Com base em sua própria experiência e também levando em conta sua ampla pesquisa, ele garante que, por mais difícil que seja, a apatia da alma é tratável, desde que deixe de ser tabu. “O silêncio agrava a depressão. Ao se esconder dela, ela cresce”, ele alerta. Por ter recebido ajuda profissional e o apoio de familiares e amigos, hoje o jornalista está harmonizado com a existência do jeito que ela é: “Atualmente minha vida é vital, mesmo nos dias em que estou triste”.

Desânimo persistente, dor sem nome, angústia feroz, tristeza prolongada e acompanhada pela perda total de interesse pelas atividades cotidianas. A depressão veste muitas roupagens. Por isso, somente uma avaliação médica pode diferenciar uma melancolia passageira de um transtorno mental, muitas vezes, ligado a um desequilíbrio químico no cérebro. Nesse caso, o tratamento medicamentoso é indispensável.

Paralelamente, as Práticas Integrativas e Complementares (PICS) são de grande valia para quem busca a cura. A boa notícia é que o número de terapias oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou de 19 para 29. Hoje, a população conta com procedimentos que comprovadamente auxiliam na restauração da saúde e na prevenção de doenças, entre elas, a depressão. Confira, a seguir, quatro valiosas terapias.

 

Terapia de Florais

Além de embelezar a paisagem e encantar os olhos – o que faz um bem enorme para a alma -, as flores guardam um tesouro que nos ajuda a atingir estados mentais e emocionais mais equilibrados e positivos. São os Florais de Bach, descobertos pelo médico inglês Dr. Edward Bach com o intuito de devolver ao indivíduo a saúde integral, uma vez que atuam nas causas das doenças: nossos sentimentos, emoções e modos de pensar. Dentre as 38 formulações que integram esse sistema, quatro são indicadas para tratar a tristeza profunda.

Não é exagero afirmar que, às vezes, a alma está se dilacerando. É quando uma angústia severa se instala, como também a sensação de abandono. Nesse caso, o floral mais indicado é o Sweet Chestnut, principalmente para quem busca renascimento e transformação. Agora, quando a tristeza profunda nos toma sem causa aparente, como uma visitante enigmática que, do mesmo jeito que vem, vai embora, a sugestão é o Mustard, envolvido na recuperação do ânimo e do bem-estar.

Para aqueles que desistiram de lutar porque perderam toda a esperança de melhora, Bach recomendava o Gorse, que traz renovação e otimismo. E para os que desanimam diante dos desafios e paralisam no primeiro obstáculo, como, por exemplo, ter que trocar de roupa para sair de casa, a melhor opção é o Gentian. Ele instiga a convicção para continuar e superar desafios.

Vale lembrar que duas gotas da essência escolhida num copo com água são suficientes. Vá tomando aos poucos até se sentir melhor. Para uso prolongado, preencha com água um frasco de 30 ml com conta-gotas, acrescente uma pequena quantidade de conservante (conhaque, vinagre de maçã), adicione duas gotas da essência escolhida e tome quatro gotas quatro vezes ao dia.

Como é possível usar até seis essências, um terapeuta floral qualificado pode indicar a melhor combinação para cada indivíduo.

 

Reiki

De origem japonesa, a técnica de imposição de mãos permite que a energia disponível no universo seja canalizada e transmitida de uma pessoa para outra, restabelecendo o fluxo energético corporal. Os adeptos dessa técnica desfrutam de um relaxamento físico e psicológico mais duradouro. Trocando em miúdos, o mundo continua exigente e assoberbado, mas a pessoa sente uma tranquilidade interna, um centramento. Desse lugar, fica mais fácil reagir diante das enfermidades.

No caso específico da depressão, a Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp) já comprovou a influência do reiki na melhora na qualidade de vida por meio da diminuição dos sintomas atrelados ao quadro, como apatia, desesperança, fadiga, irritabilidade, alterações do sono etc.

Do ponto de vista fisiológico, a técnica equilibra os neurotransmissores, normalizando a produção de hormônios responsáveis pela sensação de bem-estar, prazer e leveza, como a serotonina e a endorfina. Ela também libera bloqueios emocionais e sentimentos reprimidos, aquelas dores trancadas que silenciosamente roubam a alegria de viver.

Quem persiste nessa renovação energética chega ainda mais longe, pois a consciência se expande, podendo ofertar ao buscador a dádiva de conhecer as causas da sua depressão. A consequência não poderia ser mais benigna: a possibilidade de redirecionar a vida por meio de pensamentos e atitudes positivas.

 

Cromoterapia

Quem sofre de depressão, infelizmente, perde todo e qualquer contato com o colorido da vida. Pois este pode ser justamente o ponto de virada: apostar no poder terapêutico das cores por meio da cromoterapia. De acordo com essa ciência, os diferentes matizes irradiam vibrações específicas que afetam nosso estado mental e emocional. Tecnicamente falando, as aplicações das cores do espectro solar harmonizam o campo eletromagnético das células, restaurando a saúde como um todo.

Isso já era sabido e explorado há milhares de anos no Egito, na Grécia, na China e na Índia. Portanto, trata-se de um caminho pra lá de consolidado. E que pode ser aplicado de diversas maneiras. Por meio da cor da roupa, dos ambientes, dos alimentos ingeridos nas refeições, de mentalizações e do uso de lâmpadas coloridas. No caso da depressão, o vermelho e o laranja são indicados por seu efeito estimulante, que ativa o metabolismo e aguça a criatividade. Fique atento, pois tendemos a sentir atração por determinada cor em certos momentos justamente porque estamos carentes daquela vibração específica.

Em consultório, os cromoterapeutas costumam utilizar a caneta de colorpuntura, bastão que emite raios coloridos em pontos específicos de meridianos de energia, estimulando-os. Cabe ao profissional avaliar a duração do tratamento de acordo com o desequilíbrio que o paciente apresenta.

 

Aromaterapia

Há quem recorra aos óleos essenciais, extraídos de folhas, flores, frutos e raízes, para deixar a casa com aquele cheirinho gostoso e reconfortante, o que é ótimo para elevar o astral. Mas parar por aí é um imenso desperdício, pois, quando usadas com consciência, essas formulações naturais ajudam a reequilibrar as emoções e a modificar estados de espírito.

Uma vez inalados, os aromas estimulam a produção e liberação de substâncias pelo cérebro. Para quem deseja levantar o ânimo e aliviar a depressão, são indicados, por exemplo, o óleo essencial de capim-limão e também o de alecrim. O primeiro reacende a motivação e favorece a atenção; o segundo é energizante. Você pode diluir em água seis gotas de óleo essencial de capim-limão e quatro gotas de óleo essencial de alecrim e utilizar um difusor. Quem preferir, pode optar pelos óleos essenciais de laranja e de gerânio, que trazem mais entusiasmo para as atividades diárias.

Há outras possibilidades terapêuticas, tais como esborrifar o líquido no ambiente, acender velas aromáticas ou dormir com travesseiro recheado com ervas aromáticas e “temperados” com óleos essenciais. Vale ainda incluir os aromas em massagens e banhos. Basta pingar algumas gotas em cremes ou óleos neutros.

Um aromaterapeuta qualificado pode determinar o conjunto de aromas mais indicados e a dosagem adequada para cada caso.

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